terça-feira, 9 de junho de 2009

Dia do caçador

Já devia saber que a hostilidade
é um caminho sem volta.
Três semanas de namoro
e experimentamos um silêncio
de vinte e cinco anos
de casamento.
O cigarro tremia
na minha mão que tremia
também.
E não era de ansiedade
nem de estimulantes
nem de tesão.
Antes, talvez, a chateação
mal disfarçada.
"É que, eu disse, três horas
de espera deixam a pessoa
sem muito assunto
pra falar"
Sem muita vontade
também.
Aliás, uma vontade
de não falar.
E parecia que tudo e todos
no bar partilhavam do nosso
constrangimento.
Todas as mesas e todas
as pessoas nas mesas,
assim como o próprio bar,
a música (nem ela fazia sentido,
eu até comentei),
o cheiro de fritura,
os dois garçons ali no canto,
tudo, enfim. "É que,
eu falei, não se trata
das três horas de espera"
Porque, realmente, eu não tinha
esperado só três horas,
e sim o dia inteiro,
desde que acordei
e tomei banho, e demorei
escolhendo a roupa, etc.
Estava esperando desde que
decidi que seria inevitável
esperar por ele, porque era tudo
o que me restava fazer quando
o desejo (sempre ele, incoerente)
e a ausência me tiraram o sossego,
piscando neon, porque estava/estou
(toma!) apaixonada!
E talvez por isso eu tenha
esperado as três horas,
para vê-lo e para ficar em silêncio,
mas vê-lo e ver que chegaria
enfim!
De repente me vi numa cena
grotesca, como se eu fosse
o verdugo ali, obrigando-o
ao silêncio, nosso silêncio,
que era meu, minha não-vontade
de falar.
Pensando nisso eu ri,
e ele certamente não entendeu
ou se encheu de esperança e
pensou que se romperia o silêncio,
a chateação, e daríamos, ambos,
os braços a torcer e
nos daríamos as mãos.
Mas eu só ri e acendi
outro cigarro. Nada fazia sentido
ali.


Luciana Mutti

domingo, 7 de junho de 2009

"Há uma escolha que se faz todo dia: amar ou permitir-se esquecer disso..."

terça-feira, 21 de abril de 2009

Encontro inusitado.




Em uma dessas noites loucas em que você recebe um telefonema que muda toda sua progamação, acabei encontrando alguns amigos antigos e outros novos e alguns que por uma noite receberam o titulo de "amigos". Rimos, bebemos, curtimos um pouco do que a terra nos oferece. A unica coisa que ficou de recordação para mim nesse dia foram risadas e um almoço em minha casa quando 3 copos tocaram um no outro, valeu Marcos, abraço.

domingo, 19 de abril de 2009

Pensamentos passados




No silencio da madruga um sensação mórbida puxa uma cadeira sentando no pensar. A chuva cai em quanto os sonhos escorrem pelo córrego do tempo e da dura realidade que é evocada sem avisar. Dores conscientes da consciência recordam o medo das noites infiéis de vinho, sangue e seios, que inundam a mente afogando as sensações e os pensamentos nas orgias e o prazer consumidos sem pensar. Sentir, querer, amar. Tudo é pecado quando o pecado nos avisa que vai chegar. Tudo é medo quando o medo reside sem a alma o expulsar. Lembro-me do antes, recordo do agora, e entendo que a cadeira não existe, entendo que eu o criei e somente eu poderei fazer com que vá.