quarta-feira, 7 de novembro de 2012

"Lich, mehr licht” (Luz, mais luz) - Últimas palavras




"Quem tem bastante no seu interior, pouco precisa de fora."

Johann Goethe


- E não é isso que queremos? Essa *vontade de potência? Ter em nós o que buscamos fora?
Todas essas questões são de vulgo pessoal, pois como eu, por mais que adore esse notório escritor, romanticista e filosofo, "não concordo" com essa frase. 
 Por mais que lutemos para sermos senhores de nós mesmos, à em nós; humanos, algo que nos impulsiona a manter laços, conhecer pessoas e desfrutar de algo além de nós mesmos. Discutir opiniões, rasurar ideias, constituir família e nos misturar como numa bela salada de frutas (quando existe muita coisa em comum). O cotidiano se encarrega disso com a mesma naturalidade que os pássaros semeiam o solo perdurando sem saber o ciclo da vida, mas, para isso precisamos escolher bem onde colocamos nossas sementes.
 Se por ventura quando Goethe pensou nessa frase dando a ela uma enfase religiosa oculta, a semiótica se torna outra, e dai, por sua vez, passo a concordar em partes com a própria. Porque quem tem Deus no seu interior, pouquíssimo precisará do que existe fora, pois o próprio cristo fará dos seus problemas os problemas dele e tomara sua vida dando-lhe graças e vitorias. 
Quanto mais eu estudo e pesquiso me deparo sempre com algo indescritível, inimaginável  superior a todos nós, questões que para quem realmente se interessa por sua vida deveriam ser refletidas diariamente, como: Por que eu existo? - Nosso próprio escritor em destaque viu em seu tempo e que tem totalmente meu apoio o que as pessoas na atualidade com a maior acessibilidade ao conhecimento se recusa a perceber " A mais nobre alegria dos homens que pensam é haverem explorado o concebível e reverenciarem em paz o incognoscível"(Goethe) ; não estamos sós e uma guerra no mundo espiritual inevitavelmente está acontecendo e o resultado dela talvez eu não viva para saber, mas, caindo e levantando, sofrendo e me abstendo da quilo que satisfaz minha carne viverei meus dias no limiar do desejo. 

Eros Carvalho





(Nikolai Purpura - Fanpopping since April 2010 )


Parábola do Semeador – Lucas 8
“4 Ora, ajuntando-se uma grande multidão, e vindo ter com ele gente de todas as cidades, disse Jesus por Parábola:
5 Saiu o semeador a semear a sua semente. E quando semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho; e foi pisada, e as aves do céu a comeram.
6 Outra caiu sobre pedra; e, nascida, secou-se porque não havia umidade.
7 E outra caiu no meio dos espinhos; e crescendo com ela os espinhos, sufocaram-na.
8 Mas outra caiu em boa terra; e, nascida, produziu fruto, cem por um. Dizendo ele estas coisas, clamava: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.”
    






* Vontade de Potência Parte II - Friedrich Willhelm Nietzsche

domingo, 4 de novembro de 2012

Retornando com tudo!

"A mais nobre alegria dos homens que pensam é haverem explorado o concebível e reverenciarem em paz o  incognoscível"

Johann Goethe

Cada semana estarei prestigiando um escritor diferente que meche comigo de alguma forma e essa frase é por mais que simples deverás explicativa.É dessa paz que busco, almejo e irei conseguir; -  avante marujos, abaixar velas, cada um em seus postos, o navio já irá zarpar, " a poesia prevalece". 

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A sombra




Esticada na parede,
Sem ser quem é,
Vaga nos reflexos no chão.

Assombrada,
Eu sei que é,
Ela não tem nenhum coração.

Na noite ela se liberta,
Anda, pula, corre e cai,
O dia vem então ela se vai.


sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Oscar Wilde: Loucos e Santos



Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.